Reviews and Publications

Fernando J. Ribeiro_KISS_2014

Media, Written press & Catalogs
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2017

  • POUSADA, Pedro, “Rrevolução ! – Parte 2: Rosta Reboot,” Artecapital 2017-07-11. http://www.artecapital.net/perspetiva-198-pedro-pousada-rrevolucao-parte-2-i-rosta-reboot-i-
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Cartaz “ROSTA REBOOT”. Autor: Fernando J. Ribeiro.

RREVOLUÇÃO! – PARTE 2: ROSTA REBOOT

PEDRO POUSADA

2017-07-11

A Artecapital publica aqui o segundo de um conjunto de quatro textos a propósito do projecto Rrevolução!, uma proposta do Colégio das Artes que inaugurou a 24 de Junho, com a curadoria de António Olaio, Alice Geirinhas, Pedro Pousada e Ana Rito, e que pretende reflectir sobre a relação do Modernismo com a Revolução Russa.

Por ocasião da celebração em 2017 dos 100 anos da Revolução de Outubro, o Colégio das Artes da Universidade de Coimbra organiza uma programação, que teve início no mês de Junho, onde se incluem exposições, conferências, concertos e publicações, incluindo um livro que reproduz os cartazes criados, editado pela Stolen Books em parceria com o Colégio das Artes e com design gráfico de José Maria Cunha.
Este segundo texto contextualiza a exposição “ROSTA REBOOT”, que tem a curadoria de António Olaio, Alice Geirinhas e Pedro Pousada, e para a qual se convidaram 55 artistas e designers contemporâneos que conceberem cartazes inspirados na produção gráfica dos cartazes ROSTA (acrónimo da Agência Telegráfica da Rússia), cartazes de agit-propaganda realizados entre 1919 e 1921.

Vão cumprir-se cem anos da explosão revolucionária de Outubro de 1917 que lançou a Rússia no caminho da modernidade e que (parafraseando Isaac Deutscher) a transportou da época do arado milenar e das formas de organização social arcaicas e pré-modernas para o século da energia atómica e das viagens no cosmos.
A Revolução dirigida pelos bolcheviques desenvolveu uma fratura civilizacional ainda mais profunda e irreversível que a Revolução Francesa, uma fratura que, tanto entre os que a defenderam e defendem como entre os que a hostilizam e negam, reconfigurou a modernidade e o seu projeto. Uma nova ordem social e cultural ergueu-se alterando profundamente a relação de forças entre Trabalho e Capital e introduzindo no campo político e depois da experiência falhada da Comuna de Paris uma nova conceção de Estado e de Sociedade baseada no socialismo e ambicionando ulteriormente o comunismo.
Ignorar o significado e a escala gigantesca das transformações sociais, económicas e culturais desta experiência política coletiva é como tentar ignorar a imensa massa de água que separa os continentes.
O Colégio das Artes pretende associar-se à efeméride desenvolvendo um conjunto de iniciativas de caráter expositivo e editorial que, no plano da cultura artística contemporânea, convergem para um dos aspetos mais fortes e definidores deste acontecimento histórico: o envolvimento político da vanguarda cubo-futurista russa na dinâmica revolucionária.
A Revolução Russa foi para as vanguardas heroicas o interfacehistórico em que estas compreenderam retroativamente a sua ontologia mas também o seu lugar presente na grande História, na experiência violenta e imprevisível da modernidade e da modernização. O modernismo, o ”Negativo Europeu” (como o descreve Manfredo Tafuri), pensa resolver as suas contradições ideológicas e performativas associando a sua crença no novo, no destino teleológico da Arte, com os processos da luta política radical, anti-capitalista, anti-imperialista, da classe operária e do seu Partido de vanguarda. O “Bolchevismo intelectual” como Blaise Cendrars caracterizará o agonismo e espírito de superação das vanguardas reconhece-se na Revolução e na nova sociedade que esta ergue no meio da privação, da Guerra Civil, do isolamento internacional e dos recuos estratégicos; é “no lugar da transformação política” (Hal Foster), na revolução proletária que se ergue diante da “desintegração do proletariado” e diante a anarquia da produção, que parece verosímil a resolução de duas utopias antinómicas do modernismo: a autonomia absoluta da Arte (esta e a sua experiência produtiva percecionadas como resistências à reificação e fragmentação do trabalho, como a rejeição da finalidade comunicante do conteúdo artístico e como processos em que a História política está ausente) e a utopia do fim da arte (a convergência da verdade da Arte nas lutas sociais e na transformação do modo de vida quotidiano). A Rússia soviética, foi, portanto, “um laboratório em que tudo o que era pertinente para a arte foi experimentado até ao ponto da exaustão. [1]” (Yve-Alain Bois) e onde as vanguardas se debateram entre o passado e o futuro, “(…) como um projéctil situado entre a terra e a lua, encontrando-se, num estado de gravidade zero. [2]” Nas décadas de 1910 e 1920 a “revolução simbólica modernista” produziu no eixo Petrogrado-Moscovo um conclave multitudinário de criadores atípicos para quem a Revolução Proletária foi como um banho no rio Jordão, uma refundação, um novo começo ou a confirmação de uma catarse diluviana: poetas errantes, quixotescos no seu sonho milenarista onde o mundo pagão, os povos da estepes (os citas, os mongóis, os cossacos) ressurgiam como heróis e vagabundos do futuro; Ovídios da revolta dos objectos banais; cientistas da forma e da sintaxe e propagandistas da prática auto-referêncial das artes; jornalistas-dramaturgos viajando com as colunas do Exército Vermelho; veteranos do bolchevismo e da guerra civil redescobrindo-se como construtores espaciais e pioneiros da fotomontagem política; adeptos do politecnicismo e da biónica; activistas e exploradores dos limites da fonética; poetas zaúmnikipraticantes da linguagem transmental; primitivistas amantes dos ícones e dos lubók; pintores enfatuados com a vida autóctone da forma plástica asiática mas também com a estranheza do mundo pictórico cubista; Budietliânin arremessando em todas as direcções osestilhaços futuristas; apoiantes do maquinismo estético de raiz withmanesca; engenheiros navais reconvertidos em satiristas anti-utópicos; solistas do expressionismo e conductores do fogo suprematista [3] reafirmando indefectíveis, isolados, a sobrevivência e a necessidade da pintura de cavalete; pais e netos do cinema e da agitação multimedia.
O Quem é quem desta rapsódia de metafísica, de burlesco, de profecia, de sensacionismo, de elipses amorais, de radicalismo Zaum-político é feito de “vivos-vivos (…) constantemente errados, em busca, questionando, em tormento”, é feito, portanto, de nomes como Mayakowsky, Burliuk, Khlebnikov, Ivan Puni, Malevitch, Nikolai Suyetin, Ilya Chashnik, Ivan Kudryashev, Natan Altman, Konstantin Medunetsky, Vladimir e Georgy Stenberg, Iosef Chaikov, Karl Ioganson, Mitchurin, Liubov Popova, Varvara Stepanova, Olga Rozanova, Natalia Gontcharova, Boris Pasternak, Nikolai Miliutine, Mozei Ginsburg, os irmãos Vesnin, Ossip Mandelstam, Zamyatin, Zochenko, Ossip Brik, Tatlin, Nikolai Aseev, Sergei Tetriakov, Sergei Einsenstein, Dziga Vertov, Meyerhold, Gustav Klutsis, El Lissitsky, Aleksandr Rodchenko, Aleksei Gan, Vladislav Strzheminsky, Alexandra Exter, Boris Korolyov, Alexei Babichev, Anton Lavinsky, Mikhail Bakhtin, Nikolai Ladovsky, Yakov Chernikov, Nikolai Khodataev, Zenon Komissarenko.
Cubo-futuristas, depois construtivistas ou Unovistas, depois Lefistas, ou membros do Proletkult, depois Factografistas, todos veem o quotidiano como um território ainda a conquistar, um espaço-tempo onde se hospedam inimigos mortais da nascente sociedade soviética e perduram ainda atividades que facilitam a apropriação burguesa da cultura material, do tecnicismo e da organização, de atividades que combinam essa apropriação com conceções ancestrais, conservadoras do papel do homem e da mulher na sociedade, com mitos de nostalgia, com a burocratização. A vanguarda auto-representa-se como agente ativo na superação das insuficiências e recuos que a cultura material mantém em relação aos acontecimentos políticos: o modernista reaparece já como um adepto do conhecimento politécnico, defendendo a migração artística para o campo do trabalho social e da cultura material, um pedagogo da imagem, um comunicador, um ativista político e cultural na mudança das mentalidades e dos hábitos.
No período da Guerra Civil e da intervenção estrangeira e no período pós-revolucionário de consolidação das fronteiras e da supremacia político-militar dos bolchevistas, o Poder Soviético compreende a importância da comunicação e da comunicação visual para as tarefas da propaganda e da agitação política. É preciso criar “imagens fortes” que fixem na imaginação do coletivo e na sua experiência quotidiana a coincidência entre modernização, modernidade e poder dos sovietes.
A estética modernista politiza-se e a sua linguagem abstrata, cubomórfica, suprematista e construtivista torna-se a língua franca da plasticidade agit-prop das primeiras décadas da revolução. A Rússia multinacional, o “Egipto Russo” (assim descrito em 1928 por Vladimir Mayakowsky), maioritariamente camponês e analfabeto será percorrido nos anos da Guerra civil por comboios de agitprop cobertos de composições abstratas e de slogans políticos. Panfletos, cartazes, peças de teatro, espetáculos circenses e filmes, comícios, encenações urbanas envolvendo a participação de milhares de pessoas, são concebidos pelas mãos dos artistas de vanguarda para aproximar as populações da atividade política, inseri-las em processos de transformação social complexos, pioneiros e imprevisíveis.
Entre a produção gráfica destacam-se os cartazes ROSTA (acrónimo da Agência Telegráfica da Rússia) realizados entre 1919 e 1921 por Mayakowsky, Dmitry Moor, Rodchenko entre outros: eram bandas-desenhadas bolcheviques que relatavam num tom patriótico mas também cominternista os eventos da guerra civil, os problemas da produção, a reforma agrária, os tumultos mundiais que a revolução proletária desencadeara e os episódios diplomáticos ligados ao “cordão sanitário” proposto por Clemenceau para isolar o bolchevismo do resto da Europa. Eram expostas nas montras dos edifícios do telégrafo, produzidos às centenas e disseminados através da reprodução em stencil; a linguagem sintética, próxima da caricatura moderna e com uma narrativa que combinava os jogos de linguagem da poesia moderna, a sátira com os factos noticiosos inspirava-se nas tradições gráficas das xilogravuras eslavas, dos Lubok, cuja expressividade estilística Malevitch, Natalia Gontcharova e Mikhail Larionov tinham recuperado antes da Primeira Guerra Mundial para a pintura e o desenho modernistas. Na Rússia pós-revolucionária a linguagem da colagem (Rodchenko), da fotomontagem (El Lissitizky, Gustav Klutsis, Irmãos Stenberg) assim como a plasticidade construtivista e suprematista já hibiridizadas pela experiência das revistas LEF(1923-1925), Novy LEF (1925-1929), Veshch/Gegenstand/Object (Março-Maio 1922) e Baum in SSSR contamina a gestalt agit-prop e fornece um panorama mais coeso e coerente ao seu pensamento gráfico.
Foi nesse sentido que a equipa curatorial constituída por António Olaio, Alice Geirinhas e Pedro Pousada convidou um elenco significativo de artistas contemporâneos para participarem numa exposição de cartazes que tem como principal propósito ampliar para a nossa contemporaneidade esse momento de alteridade e de conjunção dialética entre Modernismo e Revolução. Pretendeu-se que, num formato mantendo a proporção 38 x 29,4 cm, se realizassem cartazes que por analogia ou numa atitude mais diferida e menos mimética contrastassem o colete de forças que é a mensagem política com a experiência de liberdade e provocação conceptual que define a arte do século XX e aquela que se define no limiar deste século.
Pedro Pousada

 

Notas
[1] Yve-Alain Bois, Art Forum, Feb 206, p.54.

[2] Viktor Schlowsky apud Rapisarda.Giusi.(Ed.), La Fábrica del actor excêntrico (FEKS), Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 1978, p.85.

[3] Não é Malevitch quem, em 1915, no Manifesto Do Cubismo ao Suprematismo, descreve os cubo-futuristas como os iconoclastas que levaram para praça e quebraram os artefactos da antiga arte, naturalista, ilusionista mas que coube aos suprematistas o golpe final, o gesto pirómano de reduzir tudo a cinzas? Mais forte do que o espectáculo da demolição foi o espectáculo do esquecimento, do abandono amnésico. In A.M. Ripelino, Mayakowsky e o teatro de vanguarda, São Paulo: Editora Perspectiva, 1986, p.38.
 

COLECTIVA

THEM OR US!, Um Projecto de Ficção Científica, Social e Política


GALERIA MUNICIPAL DO PORTO
Palácio de Cristal Rua D. Manuel II
4050-346 Porto

02 JUN – 13 AGO 2017


A importância da arte reside, em grande parte, na experiência estética que proporciona ao espetador. Deste modo, a curadoria das exposições desempenha um papel fundamental na interpretação e na receção das obras, as que, com Paulo Mendes, atingem as suas maiores possibilidades.

Isto verifica-se na atual exposição da Galeria Municipal do Porto, onde encontramos o exemplo de uma curadoria com tamanha proposta estética e artística que se torna, ela mesma, numa obra de arte. Como o comissário nos explica, o que mais lhe interessa é a relação da arte com o espaço e a apropriação deste último. Assim, dia 2 de junho às 22 horas, a galeria esteve repleta por um público surpreendido pelo que visualmente se apresentava e pelas ações performativas que decorriam.

Com o título Them or us e uma justaposição de práticas, formas e conceitos, a exposição começa por requerer um reconhecimento da proposta de Paulo Mendes. Trabalhando de um modo muito complexo e inteligente, que lhe é característico, o comissário interessa-se, em primeiro lugar, pelo aspeto cenográfico da exposição. Procura provocar uma experiência cénica, com um caráter de espetáculo avassalador e a efemeridade de um momento irrepetível. Para viver a exposição que nos é apresentada, devemos seguir a proposta da primeira obra exposta, de Erwin Wurm que, em The Artist who swallowed the world(2006), nos mostra um individuo que absorve tudo o que a arte lhe proporciona. Nesse mesmo âmbito, Paulo Mendes coloca o espetador no lugar de performer que interage com o que vê e que decide o seu percurso e ordem de observação e receção das obras. Para tal, o curador criou um espaço labiríntico e substituiu a habitual conceção de área expositiva aberta por uma disposição consecutiva e quase sobreposta das mais de cem obras assinadas por cerca de noventa artistas. Contudo, para lhes fornecer um espaço existencial e tempo individual de leitura, o espaço é organizado pela construção de várias estruturas, desde paredes e tectos falsos, separações concebidas através de cacifos, divisões cromáticas e outros objetos, adquiridos através de parcerias com a Câmara Municipal, o exército português e a engenharia militar. Trata-se da utilização de objetos pré-existentes, relacionados com o contexto em questão, algo recorrentemente presente no trabalho de Paulo Mendes.

Outra particularidade que encontramos, é a substituição das habituais escadas de acesso ao piso superior por outras, centrais, da autoria de Nuno Pimenta, que proporcionam uma perspetiva inédita tanto das obras como do espaço da exposição. Em simultâneo, as janelas estão pintadas e cobertas para impedir a relação com o exterior, tornando a galeria quase claustrofóbica, numa aproximação à ideia de um bunkere, como o curador explica, “de um conflito latente”, relacionado com o conceito da exposição.

As obras são intercaladas por peças não artísticas, como um computador de Steve Jobs ou variados objetos do Museu Anatómico do ICBAS, causando um fluxo dinâmico e acelerado no espaço, convidativo a uma visita dinâmica e intensa por parte do espetador. Revela-se um paralelismo entre o digital, o tecnológico, o informático e o analógico ou o manual, e um claro elo de ligação através do qual se inicia toda a exposição: um axioma do cineasta russo Alexander Sokurov, “em história falamos do que aconteceu, na arte do que poderia ter acontecido”. Sabemos que muitas das narrativas que se desenvolvem em discursos artísticos partem de ocorrências reais e daquilo que, perante estas, surge como um infinito de possibilidades da imaginação e da criação do artista. A arte é, pois, uma enorme força crítica e o veículo ideal para convocar para análise a atualidade.

Hoje, a resposta crítica dos artistas tem sido particularmente despoletada pelas mais recentes ocorrências, desde o terrorismo às ideias radicais e extremistas que apelam à construção de muros quando seria mais benéfica a dissolução de fronteiras culturais, raciais e de gênero. O tema das barreiras sociais é brilhantemente trabalhado num filme que incorpora a exposição, o icónico Neighbours de Norman McLaren.

O que Fukuyama, em 1992, compreendeu como a forma final e definitiva de governação social, a democracia western, é, agora, posto em causa. E, tal como a criação artística evolui em força e retoma a sua voz mais provocadora e ativista, não estaremos perante o aclamado “fim da história”, de Hegel a Karl Marx, mas sim num turning point e renascer histórico. Trata-se de uma confluência entre os vários tempos como aquela que, a um outro nível, se reúne nos espelhos de Fernando Brito, na obra Sem Título (1996/2017), que reflete a nossa imagem, as obras em frente e as que se encontram atrás. Assim, a exposição anuncia a possibilidade de uma “nova Europa” perante a queda da nossa “velha Europa”, visível em Untitled (European Union), de 2012, de Fernando J. Ribeiro, onde as estrelas da bandeira caem, frágeis, em forma de batatas fritas.

Entre as opiniões díspares que surgem sobre a atualidade, verifica-se, contudo, um receio comum perante o conceito do invasor territorial. Este, como o curador clarifica, pode ser compreendido de diversas formas, desde o terrorista ao refugiado, ao turista ou até a um vírus, bactéria ou qualquer tipo de mutação derivada de experiências científicas. Por isto, e devido à vasta dimensão da problemática, para além da política, de cultura e da sociedade, Paulo Mendes explora também os parâmetros da ciência, da arquitetura, do arquivo/documento e até da ficção científica.

Contam-se cerca de vinte obras realizadas propositadamente para a ocasião e, as restantes pertencem a coleções privadas, algumas já anteriormente expostas mas que, nesta nova envolvência, são apreendidas de um modo totalmente distinto, como é o caso daAlheava_o Leão que Ri (2017) de Manuel dos Santos Maia. Apesar da pluralidade e da enorme dimensão expositiva, é possível destacar algumas peças, a começar pelas fotografias de André Cepeda que, de modo inovador, são apresentadas sem qualquer ordem e intercaladas com peças de outros artistas. Um outro trabalho que contribui para o dinamismo da exposição, literalmente elevando a sua temperatura, é oQuarto Sentido (2003) de Pedro Tudela, destacando-se visualmente pelo seu grafismo e cores fortes e, como é característico do artista, por apelar aos vários sentidos do público. O som que se expande da obra evoca um sofrimento e um esgotamento agora cada vez mais atual. Na parede em frente, bem relacionada com o tema, encontra-se uma obra que, embora de 1992, é intemporal, a Réserve (Fête de Pourim) do incontornável Christian Boltansky. Também particularmente interessante, no piso superior, está uma tenda militar com a projeção de cerca de doze vídeos, dos quais pode destacar-se o Bombe à retardement (after), deste ano, de Cristina Mateus. No ecrã, presenciamos um campo aberto, vazio, com uma bateria que toca sem público, ou seja, como a artista explica, que contrasta com a habitual ideia de um concerto. Surge, ainda, uma outra paisagem de uma floresta, esta, por sua vez, densa. Ainda se acrescenta um discurso que proclama várias vontades e que, no particular contexto da tenda militar, poderá ser associado aos soldados. É, assim, uma obra plural, que permite e convida a múltiplas interpretações e cujo conceito se cruza com o espaço e a curadoria.

Them or Us apresenta-se, assim, tão forte quanto o discurso que proclama e detém a capacidade de permanecer surpreendente quando revisitada. Para tal, está patente até dia 13 de agosto e dela surgirá a publicação de um livro com ensaios sobre tudo o que esta ocasião engloba. Esta segunda exposição do presente ano de 2017 da Galeria Municipal é um notável exemplo de como a Câmara do Porto encara a cultura como plataforma para suscitar o pensamento crítico sobre a atualidade. Esse é, precisamente, um dos grandes intuitos dos artistas contemporâneos e que, pela mão de Paulo Mendes, é transportado para um nível de ilustre complexidade e mestria.

CONSTANÇA BABO

2016

– JURGENS, Sandra Vieira, Instalações Provisórias: Independência, Autonomia, Alternativa e Informalidade. Artistas e Exposições em Portugal no Século XX, Sistema Solar, CRL (Documenta), Lisboa, 2016

Fernando J. Ribeiro_Sandra Vieira Jurgens_Instalações Provisórias_2015

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2014

– MARMELEIRA, José, “Revolta e Esperança,” in jornal Público, suplemento Ipsilon, 20 de Junho de 2014, p.36.

Fernando J. Ribeiro_European Union Flag Sculpture_Art Stabs Power_Inês Valle_José Marmeleira_Jornal Público_Revolta e Esperança_2014

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http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/revolta-e-esperanca-1659586, http://www.publico.pt/n1659586

– MARTINS, Celso, “O Princípio da Realidade”, in Expresso suplemento Atual, p. 32

Fernando J. Ribeiro_Celso Martins_O Princípio da Realidade_2014

– VALLE, Inês, “Art Stabs Power. Que se Vayan Todos!”, Wall Street International,

http://wsimag.com/pt/art/9295-art-stabs-power-que-se-vayan-todos

– VALLE, Inês (curator), catalogue of Art Stabs Power. Que se Vayan Todos!, Plataforma Revólver, Lisboa, Bermondsey Project, London.

Fernando J. Ribeiro_Inês Valle_Art Stabs Power_London_France flag Post-it sculpture_2014

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– CRUZ, Valdemar, “Os Improváveis,” in Jornal Expresso online,

http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/09-10-2014/caderno-1/cultura/09_Cultura_Cronica_Valdemar Cruz

– MATOS, Miguel, “Arte contra o sistema”, in TimeOut Lisboa, 4 de Junho de 2014,

http://timeout.sapo.pt/ artigo. aspx? id=6647

– SCHLATTER, Bruno, catalogue of International Exhibition of Road Signs,

http://kultpavillonblog.blogspot.de/2014/02/1-internationale-strassentafelausstellu.html

– JURGENS, Sandra Vieira, “Usos e Recursos da Arte Contemporânea: Instalações Fabris, Economia e Estética do Abandono na Era Pós-Industrial,” in Arqa nº 112, Março/Abril 2014, pp. 122-125.

Fernando J. Ribeiro_Sandra Vieira Jurgens_Arq.a_2014

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– FARIA, Óscar, press release of the exhibition Self-Service,  http://sismografo.org/newsletter002/

 

http://bermondseybeach.blogspot.co.uk/2014/07/the-bermondsey-review-art-stabs-power.html

– COSTA, Sérgio Gomes da, “Um Detector de Verdades Artísticas”, in Time Out Porto, Fevereiro 2014, pp. 49-51

– FRANÇA Carlos, “Sismógrafo”, in http://www.porto24.pt/opiniao/sismografo/

– LOUREIRO, Joana, “Fazer Diferente”, Visão nº 1090, 23 a 29 de Janeiro de 2014, suplemento Sete, p. 19

– MARTINS, Andreia, “Fecha-se uma porta, abre-se uma Mpmtra,” in jornal Público, suplemento P3,

http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/10431/fecha-se-uma-porta-abre-se-uma-montra

– PESTANA, Benedita (ed.), catálogo de A Montra (catalogue), Lisboa

Fernando J. Ribeiro_Projecto A Montra_Benedita Pestana_Luisa Cunha_2014

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2013

– SALAMANCA, Oscar,

http://muroliquido.blogspot.pt/2013/07/fernando-ribeiroeverlasting-dream.html

– MAGALHÃES, Andreia, A Imagem em Movimento nos Museus de Arte Contemporânea: Proposta de um Modelo de Catalogação como Estratégia de Preservação, “Arte e Museus”, Instituto de História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa.

Fernando J. Ribeiro_Andreia Magalhães_A Imagem em Mimento nas Colecções de Arte_2013

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2012

– CRESPO, Nuno (coord.), Riso. Uma Exposição a Sério, Tinta da China, Fundação EDP, Lisboa

 

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Fernando J. Ribeiro_Exposição O Riso_EDP_Museu da -elctricidade_Nuno Crespo_João OPinharanda_2012

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-SUMPTA, Gustavo, CABRAL SANTO, Pedro (curators), catalogue of Limbo, Plataforma Revólver, Lisboa

2010

– SANTOS, David, “Fernando J. Ribeiro”, in Invasões Contemporâneas: Arte nas Comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira

Fernando J. Ribeiro_David Santos_Museu do Neo-Realismo_USA-UE flags_2010

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3

– POMBA, Susana, “Dove’s Taste of the Day Edition”, in Artes & Leilões nº 27, Agosto/Setembro 2010, pp. 80-81.

– JURGENS, Sandra Vieira, “Sandro Resende: Projecto Contentores e Arte Pública Contemporânea”, in Arqa nº 82/83, Julho/Agosto 2010, pp. 124-127.

– ELIAS, Alexandre, “Uma ‘performance’ invisível”, in Diário de Notícias 17 Junho, p. 56.

2009
– FARIA, Óscar, “Fernando Ribeiro, Hours at a Stretch”, in Les Cahiers Purple, nº 1, 2010, p. 197.

Fernando J. Ribeiro_Les Cahiers Purple_Óscar Faria_2010

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– FARIA, Óscar, “Um Momento do Falso”, in Público, Ípsilon, 27 Março, p. 28.

Fernando J. Ribeiro_Chanel installation_Óscar Faria_jornal Público_A Certain Lack of Coherence_Porto_2009

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2005

  • MENDES, Paulo (edit.), catalogue of Toxic. O Discurso do Excesso, Hangar K7, Fundição de Oeiras

Fernando J. Ribeiro_World Cup (Geo-political Map_wall painting_flags_collaborative art work_Paulo Mendes_Toxic_2005

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2004
– JURGENS, Sandra Vieira, A Colecção Ivo Martins na Culturgest, in catalog of “Proximidades e Acessos: Obras da Colecção de Ivo Martins”, Culturgest, Porto.

Fernando J. Ribeiro_Colecção Ivo Martins_Serralves_Culturgest_Sandra Vieira Jurgens, catálogo

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– FARIA, Óscar,“Desejos em Saldos”, Público, Mil Folhas, 27 Março, p. 21.

Fernando J. Ribeiro_Todos os Desejos em Saldos_2004

6
– FARIA, Óscar, “Ficções Heterogéneas”, Público, Mil Folhas, 27 Março, p. 22.
– OLIVEIRA, Márcia, “Fernando Ribeiro”, Público, Mil Folhas, 6 Março, p. 18.
– MARTINS, Celso, “Utopias Estilhaçadas”, Expresso, Actual, 14 Fevereiro, p. 27.

2003
– FARIA, Óscar, “A Nova Arte Portuguesa”, Público, Mil Folhas, 29 Novembro, pp. 20-23.

2002
– FARIA, Óscar, “Lugares Minoritários no Porto”, Público, Mil Folhas, 9 Novembro, p. 18.

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– RAFAEL, Antónia A., ““Arte-Público” Agora em Lisboa”, Público, 15 Outubro, p. 36.
– FARIA, Óscar, “Portugueses na Free Manifesta”, Público, 20 Julho, p. 35.

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2001
– FARIA, Óscar, “Competição na Maia”, Público, Mil Folhas, 23 Junho, pp. 26-27.

7

8
– FARIA, Óscar, “Artes Invadem o Hospital Psiquiátrico”, Público, 21 Abril, p. 48.
– MENDES, Paulo (edit.), catálogo Regras do Jogo da Glória, Artmosferas. Porto.

2000
– JURGENS, Vieira, Sandra, “Fernando Ribeiro”, PLANO XXI, Portuguese Contemporary Art,   Cinema & Music (catalog), p. 9.
– LOWDES, Sarah, “Art Review”, Metro Life, Glasgow, 22 Setembro, p.18.
– RATO, Vanessa, “Exportar a Geração de 90”, Público, 1 Setembro, p. 24.
– PINHARANDA, João, “Aprender, Aprender Sempre”, catalog of Passos 2000,  p. 15.

1999
– FARIA, Óscar, “Círculo de Artes Plásticas…Colectivas”, Público, 23 Janeiro, p. 30.

1998
– PIRES, Jorge P., “Visões do Oceano”, Expresso, 24 Dezembro, p. 25.
– FARIA, Óscar, “Lar, Doce Lar”, Público, 21 Novembro, p. 32.
– FARIA, Óscar, “Uma Casa Portuguesa”, Público, Artes & Ócios, 27 Novembro, p. 20.

Fernando J. Ribeiro_Femur sculpture_Óscar Faria_Jornal Público_1998
– NAVES, Luís, “Hipertextos e Histórias Alternativas”, Diário de Notícias, 1 Nov., p. 59.

1996
– PINHARANDA, João, “Fernando Ribeiro”, Público, Zap, 7 Junho, p.18.

Interviews

– Exposição RISO – Fernando J. Ribeiro – Youtube

http://www.youtube.com/watch?v=kCPwngnqqrQ

TV interviews

2005
Toxic. O Discurso do Excesso, Angar K7 da Fundição de Oeiras, Oeiras, in Magazine Artes Plásticas, RTP2, 26 de Julho.

2004
Endless Light, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Coimbra, in Magazine Artes Plásticas, RTP2, 6 de Julho.

TV reports

2004
Proximidades e Acessos: Obras da Colecção de Ivo Martins, Culturgest, Porto, in Magazine Artes Plásticas, RTP2, 6 de Setembro.
Proximidades e Acessos: Obras da Colecção de Ivo Martins, Culturgest, Porto, in Magazine Artes Plásticas, RTP2, 22 de Julho.
Todos os Desejos em Saldos, galeria Monumental, Lisboa, in Magazine Artes Plásticas, RTP2, 15 de Março.
Correi Lágrimas Minhas, Disse o Polícia, galeria ZDB, Lisboa, in Magazine Artes Plásticas, RTP2, 1 de Março.

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– To Perform: Performance Art and Performative Art Practices from Portugal. http://pt-performance.blogspot.pt/search?updated-min=2010-01-01T00:00:00Z&updated-max=2011-01-01T00:00:00Z&max-results=50